AS
NOSSAS
FLORES
por Amanda Rosa
Existe uma idade em que se espera que a mulher pare de florescer?
As Nossas Flores é uma série de retratos que nasceu de uma inquietação: por que reservamos a expressão "na flor da idade" apenas à juventude? Como se existisse um prazo de validade para a beleza, o vigor e até mesmo para os sonhos. E o que viria depois seria apenas um sentimento nostálgico de uma fase que já se foi.
Mais do que retratos, este projeto se propôs a escutar mulheres em diferentes momentos da vida, com uma atenção especial àquelas que já carregam décadas de experiências. A partir de suas histórias, questionamos o que é beleza, como é a realidade de envelhecer e se, talvez, a flor da idade não seja uma fase, mas um estado.
As flores surgem como símbolos dessas diferentes estações da vida. Em cada retrato, elas podem representar o presente, o passado, o futuro — ou até mesmo todos eles ao mesmo tempo.
Esta exposição digital convida a desafiar a lógica estética das redes sociais, que frequentemente exaltam aparências, reforçam padrões inalcançáveis e alimentam o medo do envelhecimento. Em seu lugar, propõe um olhar para a beleza da experiência vivida, revelando uma alternativa mais sensível e humana sobre aquilo que nos influencia.
Convido você a percorrer esta exposição com calma. Observe cada retrato não como a imagem de uma mulher que "envelheceu bem", mas como o reflexo de alguém que vive sua maturidade carregando histórias que vão muito além da aparência.
AS MINHAS FLORES I, II, 2026
Amanda Rosa
Fotografia digital
Beatriz, 67 anos.
Fui uma adolescente bem gordinha, então, às vezes me sentia um pouco inferior às outras meninas da época. Hoje acredito que eu sou muito linda, porque aprendi com o tempo que essa beleza ela vem daqui de dentro e não desse formato exterior que rotulam as pessoas. Eu me sinto hoje, uma mulher com mais de 60 anos, linda, inteira e agradável.
– Beatriz M. Teixeira
O jardim da minha vida, todo dia tem uma flor nova.
– Beatriz M. Teixeira
RETRATO DE BIA, 2026
Amanda Rosa
Fotografia digital
Beatriz, 67 anos.
Sentir pressionada para parecer mais bonita, mais jovem, é um tanto pressão da gente mesmo. Eu sei que existe, que tem... De vez em quando, aflora. Também a mídia, as pessoas mesmo em volta, acabam, de uma maneira talvez não consciente, fazendo uma pressão para que a gente procure ser mais jovem, que façamos alguma coisa para isso.
– Virce A. Gonçalves Custódio
LEMBRANÇA I, II, 2026
Amanda Rosa
Fotografia digital
Virce, 73 anos.
Quando se entra na idade adulta tem aquele desabrochar, mas na velhice tem também! Talvez sejam outras flores, mas ainda tem um jardim lá.
Eu acho que eu continuo florescendo na mesma medida, com flores diferentes. Mas eu acredito que eu continue florescendo na mesma medida em que quero isso.
– Virce A. Gonçalves Custódio
RETRATO DE VIRCE, 2026
Amanda Rosa
Fotografia digital
Virce, 73 anos.
Envelhecer, para mim, significa naturalidade. É ganhar esses anos de experiências. Então, eu não me preocupo muito em envelhecer, só vivendo cada dia, um após o outro.
Não sei se é a minha vivência de ter ficado viúva antes da hora. É bem complicado. A gente sofre. A gente precisava de mais apoio e não tem. Quando acontece, todo mundo está em volta de você, mas, depois passa um mês, dois meses, três meses... Você é sozinha, é você por você. Ninguém te ensinou a ficar só, a vencer um luto.
Acho que envelhecer é natural da vida. A gente foi preparada para isso, mas não para perder uma pessoa que você ama.
– Patricia Gongora Rosa
Não tenha medo de envelhecer! A gente sabe que, um dia, a gente vai passar por isso. Se Deus permitir que a gente chegue a envelhecer, que a gente possa envelhecer de uma forma natural, sem ficar bitolada com os padrões do mundo, sabe? Te colocando dentro de uma caixinha. É se aceitando.
– Patricia Gongora Rosa
SER, 2026
Amanda Rosa
Multipla exposição em fotografia digital
Patricia, 58 anos.
FLORES-SER, 2026
Amanda Rosa
Composição de múltipla
exposição em fotografia digital
Patricia, 58 anos.
FLORESCER, 2026
Amanda Rosa
Composição de múltipla
exposição em fotografia digital
Patricia, 58 anos.
O que ainda floresce em mim, hoje, é a vontade de viver. Ainda tenho sonhos. Ainda quero concretizar esses sonhos.
– Patricia Gongora Rosa
Fui florescer justamente quando eu perdi meu marido. Eu tinha somente 33 anos e tinha três filhos pequenos. Todos os dias foram dias de luta, porque eu não sabia fazer nada, [era] praticamente dona de casa. De repente, eu tive que mudar para ser uma pessoa mais resistente, para prover e cuidar dos meus três filhos.
– Alice Atiko Miyamoto
EM FRENTE / ENFRENTE, 2026
Amanda Rosa
Fotografia digital
Alice, 84 anos.
Eu pratico [gateball] há mais de 40 anos, a nível internacional. Eu fico praticando junto com as mocinhas jovens e pessoas de mais idade também... Então, eu acho que estou dentro da flor da idade. Mesmo com a maturidade, a pessoa tem condições de fazer o que quiser. A pessoa tem que ter um objetivo na vida e [saber que] pode realizar seu sonho. Então, acho que não tem idade para isso. Flor da idade é sempre!
– Alice Atiko Miyamoto
RETRATO DE ALICE, 2026
Amanda Rosa
Fotografia digital
Alice, 84 anos.
RETRATO DE BEL I, II, III, IV, 2026
Amanda Rosa
Fotografia digital
Bel Prado, 57 anos.
Sempre existiu um padrão, mas eu nunca gostei de ser igual a todo mundo.
– Bel Prado
Envelhecer, para mim, não é uma coisa difícil, não é uma coisa dolorida, porque eu não sou só a minha aparência, a minha pele ou o meu cabelo. Eu sou muito mais que isso e eu tenho convicção disso.
E essa minha certeza me deixa tranquila quanto ao passar dos anos. Eu sempre tento aproveitar o melhor que isso me trouxe e, com certeza, a maturidade traz muita sabedoria. Então, eu valorizo muito isso.
– Bel Prado
Envelhecer é experiência e maturidade. É a gente ver as coisas com mais tranquilidade, sem tanta ansiedade. Porque, quando a gente é mais jovem, a gente quer tudo para ontem, e tudo é corrido, tudo é muito rápido, é tudo junto e misturado.
Hoje, eu penso que envelhecer já é uma vida mais tranquila, então eu não tenho aquela pressa que eu tinha. Às vezes, me sentia até mal de parar, sabe? Hoje, eu já me dou ao luxo de descansar, de sentar, de ver filme, de fazer um passeio, de fazer uma caminhada tranquila, de tomar um café da manhã demorado.
– Lucí Orlandini Nazário
PASSAGEIRO, 2026
Amanda Rosa
Fotografia digital
Lucí, 67 anos.
Já assumi meus cabelos grisalhos, não tenho nenhum problema de falar de idade... Claro que o corpo da gente tem mudanças. A pele, o cabelo, tudo muda, mas isso não me incomoda. Faço o que eu posso.
Beleza é você estar bem, é você ter paz, é você ter saúde, é você poder se cuidar. Fazer as suas atividades físicas, cuidar realmente, preventivamente, da saúde, se fortalecer para ter uma velhice de qualidade, não só para ter anos de vida, mas ter vida nesses anos.
– Lucí Orlandini Nazário
VAIDADE…
VAIDADE I, 2026
Amanda Rosa
Fotografia digital
Iolanda, 80 anos.
VAIDADE II, 2026
Amanda Rosa
Fotografia digital
Iolanda, 80 anos.
VAIDADE 1, 2
Amanda Rosa, 2026
Fotografia digital
Iolanda Tavares, 80 anos.
VÁ IDADE!
Me considero na flor da idade, graças a Deus, porque ainda não murchei!
A vida inteira é uma flor da idade, basta você saber levar ela, porque a vida é a coisa mais boa que pode existir. Não fica desanimada, chorando, não, porque não vale a pena. Vamos viver o tempo que Deus deu para nós, porque nos deu essa bênção para chegarmos até aqui. Quantas pessoas querem ter essa idade e não vão conseguir? Então, a gente deve sempre agradecer pela vida que temos e aproveitar bem, porque, no dia que Deus chamar nossa senha, não tem por onde correr.
– Iolanda Tavares
VÁ IDADE I, II, III, 2026
Amanda Rosa
Fotografia digital
Iolanda, 80 anos.
Eu floresci, com toda certeza, depois da minha filha. Ela veio para me salvar, me salvar de mim mesma e me salvar, talvez, de algumas situações que eu fosse passar e que eu não iria ter um discernimento.
– Karina Lopes
AS NOSSAS FLORES, 2026
Amanda Rosa
Múltipla exposição em fotografia digital.
Allana, Nadir e Karina
RETRATO DE GERAÇÕES, 2026
Amanda Rosa
Fotografia digital
Allana, 12 anos. Karina, 42 anos.
Nadir, 74 anos. Emília, 95 anos.
Aos 25 anos, eu me reconheci como Nadir. Porque parece que a gente tem mais liberdade. Ia aonde eu queria, fazia as coisas que eu gostava. Me considero na flor da idade hoje. A flor da idade é estar bem. No caso, agora eu também faço tudo aquilo que eu quero. Não dependo de ninguém.
– Nadir Lopes
Beleza é você estar bem com você mesma, independente de padrão. E tentar melhorar, que sempre dá para melhorar um pouquinho. [Com o tempo, passei a admirar] minha maturidade. Hoje eu me sinto muito mais segura de fazer algo, eu sei me posicionar. E, fisicamente? Depois que eu passei pela transição capilar, é o que eu mais amo [em mim].
– Karina Lopes
Quando a pessoa está com a idade mais velha, tipo 97, 98 anos… Para mim [envelhecer] é isso. Talvez eu chegue nessa idade, então, não tenho medo de envelhecer.
– Allana Lopes
EMÍLIA I, II, 2026
Amanda Rosa
Fotografia digital
Emília, 95 anos.
Envelhecer foi uma fase que eu queria rejeitar. Mas não dá para rejeitar, porque Deus fez assim para ser assim. Que bom que eu estivesse na flor da idade. A idade já chegou. As pessoas olham para mim, e sou o que sou. Agora, não posso mudar mais. Eu sou uma pessoa idosa.
– Emília
“Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e florescentes.” — Salmos 92:14
Envelhecer é permitir que o tempo transforme os anos vividos em sabedoria, gratidão, prudência e maturidade. Não é só um acúmulo de anos de vida, mas de significado em cada cicatriz, nas rugas das mãos e do rosto, nas memórias, nas dores e nas lágrimas. A força física diminui, mas crescem o conhecimento, a sabedoria, o discernimento, a prudência, a generosidade, a abundância de alegria e a fé. Entendo que a grande conquista do envelhecer acontece de dentro para fora e transborda, alcançando todos ao redor. – Beatriz M. Teixeira
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